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A carreira de uma DJ raramente é feita apenas de glamour

A carreira de uma DJ raramente é feita apenas de glamour

A carreira de uma DJ raramente é feita apenas de glamour. Ela se constrói entre improvisos, momentos de virada, grandes palcos, e alguns perrengues que viram história. Para a produtora e DJ carioca Dri Toscano, cada fase dessa trajetória ajudou a moldar não só sua identidade artística, mas também sua relação visceral com a pista.

A estreia, por exemplo, veio sem manual. “Eu não sabia nem ligar o CDJ”, relembra. Com um fone de computador e CDs usados para dar aula de spinning, Dri encarou sua primeira apresentação de forma intuitiva e transformadora. “Foi incrível. Ali eu vi que tinha dom pra música.”

Poucos anos depois, veio um dos momentos mais simbólicos da sua carreira. No Chemical Music Festival, em 2011, Dri assumiu uma tenda de house completamente vazia, logo após DJs famosos, enquanto o palco principal concentrava a grande atração da noite. Bastaram duas músicas de tribal para o cenário virar. “Eu lotei a pista. Os héteros gritavam na minha frente e não dava pra ver o final da pista de tanta gente.”

O reconhecimento seguiu crescendo. Em 2012, no Rio Music Conference, Dri abriu a pista para Bob Sinclar, na Marina da Glória. “Foi mágico”, define. Vieram também experiências marcantes como tocar ao lado do lendário Peter Rauhofer, além de inúmeros outros encontros que ajudaram a consolidar seu nome na cena.

Outro capítulo inesquecível foi o Festival Eterna 2019, na antiga TW, em São Paulo. No último dia, Dri fechou a pista interna e terminou o set sob aplausos de uma pista lotada. “Até hoje é um dos sets mais ouvidos do meu SoundCloud”, conta.

Mas nem tudo foi celebração. Houve também os bastidores duros da noite. Em uma festa em Recife, mal divulgada, os organizadores desapareceram sem pagar os DJs. “Meu amigo pegou as CDJs como pagamento. Todo mundo foi parar na delegacia”, relembra, entre risos. O cachê nunca veio.

Entre conquistas e tropeços, Dri Toscano construiu uma trajetória marcada por coragem, entrega e conexão real com o público. Uma história que prova que, na música eletrônica, quem permanece é quem transforma cada pista, cheia ou vazia, em oportunidades.

Publicado originalmente no Instagram da Circuito Tribal House.

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