CIRCUITO TRIBAL HOUSE
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Redução de Danos

A cena eletrônica vive um paradoxo caro: quanto mais cresce a exigência por protocolos

A cena eletrônica vive um paradoxo caro: quanto mais cresce a exigência por protocolos

A cena eletrônica vive um paradoxo caro: quanto mais cresce a exigência por protocolos de redução de danos, mais o produtor de eventos passa a pagar por escolhas individuais de parte do público. Não se trata de ignorar a saúde coletiva, mas de encarar uma distorção evidente. Quando pessoas decidem, por iniciativa própria, consumir drogas de forma abusiva, misturar substâncias, álcool e longas horas de pista, o risco não fica restrito ao usuário. Ele vira custo operacional, jurídico e sanitário para quem produz a festa.

Na prática, isso encarece tudo. O produtor precisa ampliar equipe médica, contratar ambulância com UTI móvel, reforçar brigada, controlar melhor acessos, prever áreas cada vez maiores de descanso, segurança, comunicação de emergência e estrutura de resposta rápida. Cada medida tem preço. E esse preço inevitavelmente chega ao ingresso e à viabilidade do selo.

No caso das festas da cena tribal house, o alerta é ainda maior. Pela lógica da Escala de Graduação de Risco de Eventos adotada em São Paulo, por meio Portaria SMS nº 490/2020, esse tipo de festa reúne diversos fatores considerados pela norma como sensíveis: tipo de evento, local, horário, duração, características do público, faixa etária, número de pessoas, controle de acesso, acomodação, climatização do ambiente, acesso a líquidos, consumo de álcool e probabilidade de drogas ilícitas.

Ou seja, não é preconceito contra a cena. É leitura objetiva de risco. Festas longas, noturnas, com grande concentração de público, consumo de substâncias, ambientes fechados ou abertos exigem mais controle. O problema é que a conta da imprudência individual acaba sendo socializada. Quem usa de forma irresponsável coloca a própria vida em risco, pressiona a estrutura do evento e ajuda a transformar lazer em operação de emergência.

A produção de uma festa é sempra a maior responsável, mas a pergunta que fica é: até que ponto o público está disposto a assumir seu papel para que a festa continue sendo celebração, e não risco?

Publicado originalmente no Instagram da Circuito Tribal House.

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