Abrir uma pista num festival de tribal pode parecer simples
@thalessabino
Abrir uma pista num festival de tribal pode parecer simples. Não é. Quem toca primeiro recebe um espaço ainda vazio, uma acústica diferente e um público que está chegando. Para Thales Sabino @thalessabino que abre a sexta-feira da Festa da Lili @festadalili o erro seria tratar esse horário como se a noite já estivesse no auge.
O tema da sexta é “Despertar”, e foi daí que ele partiu. “Será que todo mundo topa despertar de uma forma menos previsível?”, provoca. A ideia é começar alegre, mas sem entregar tudo de uma vez. No set, Thales pretende misturar sonoridades que vem pesquisando além do tribal e aproveitar nuances que só funcionam no primeiro horário.
Ele conhece bem essa dinâmica. Esta será sua quarta vez como DJ na Lili. “Se eu, como primeiro DJ, meter o pé no acelerador e fizer um som eufórico, ficaria fora de contexto.” Para ele, a abertura precisa receber quem chega, ajudar os corpos a entrarem na mesma frequência e preparar o terreno para o que vem depois.
Existe também uma questão física. Com o espaço ainda esvaziado, o som se comporta de outra forma. Volume e intensidade fora do ponto podem virar apenas barulho, cansar quem chega cedo e até atrapalhar a equipe que ainda está trabalhando.
Thales resume o papel sem romantizar: o primeiro DJ precisa ter desapego. “Ele não vai ser ovacionado no final do set. O papel dele é outro. É preparar terreno.”
Num festival em que o público viaja atrás de três dias de tribal, resistir à pressa também faz parte do trabalho. O warmup não precisa vencer a noite. Precisa fazer a noite começar direito.
Publicado originalmente no Instagram da Circuito Tribal House.
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