CIRCUITO TRIBAL HOUSE
← Todas as matérias
Redução de Danos

Conhecido na cena como Gisele, o GHB (ácido gama-hidroxibutírico) é uma das substâncias

@joaochesca

Conhecido na cena como Gisele, o GHB (ácido gama-hidroxibutírico) é uma das substâncias

Conhecido na cena como Gisele, o GHB (ácido gama-hidroxibutírico) é uma das substâncias mais traiçoeiras da noite. Diferente de outras drogas, ele funciona como uma verdadeira caixa-preta: mesmo quando se conhece a procedência, mesmo respeitando doses e intervalos, o risco do chamado “buraco” — a overdose — nunca deixa de existir. E isso acontece por um motivo pouco conhecido.

Segundo o psicólogo clínico João Chesca @joaochesca , muitas overdoses em usuários experientes nem sempre estão ligadas ao excesso, mas ao contexto em que o uso acontece.

“O cérebro aprende o ambiente junto com a droga”, explica. Com o tempo, lugares, cheiros, pessoas e situações passam a ser estímulos condicionados. O corpo, então, se antecipa ao efeito da substância e ativa respostas fisiológicas opostas para tentar manter o equilíbrio — a chamada homeostase. Se a droga desacelera o coração, o corpo acelera antes. Se dilata a pupila, o corpo contrai. Isso cria a sensação de tolerância.

O perigo começa aí.

Quando a pessoa usa a substância no mesmo ambiente de sempre, o corpo já está preparado, o efeito parece menor e a tendência é aumentar a dose. O usuário acredita que “aguentou mais”, quando, na verdade, parte dessa tolerância vem do ambiente — não da droga.

O risco real surge quando o uso acontece em um lugar diferente: outro quarto, outro bairro, sozinho ou fora do contexto habitual. Nesse caso, o estímulo condicionado não aparece. O corpo não se prepara. A mesma dose de sempre passa a agir como se fosse muito mais forte.

“Para o organismo, é como se a droga tivesse aumentado de potência”, alerta Chesca. E é por isso que tantas overdoses acontecem justamente com pessoas experientes — não por abuso, mas por mudança de cenário.

A mensagem é clara: com GHB, não existe zona segura. Redução de danos passa por informação, atenção ao contexto e, sobretudo, consciência de que o risco nunca desaparece — mesmo quando tudo parece sob controle e quando você pensa que está tolerante a substância.

Publicado originalmente no Instagram da Circuito Tribal House.

Ver post original no Instagram →

Continue na cena