Durante anos, a presença de um DJ internacional foi tratada como garantia de pista cheia
Durante anos, a presença de um DJ internacional foi tratada como garantia de pista cheia. Mas essa conta já não fecha do mesmo jeito.
Entre 834 participantes, apenas 22,1% disseram que grandes nomes internacionais chamam atenção em um line-up. Foram 184 respostas. O número fica muito abaixo dos 71% que escolheram DJs nacionais consagrados e também perde para os 52,3% que valorizam artistas locais bem selecionados.
Mesmo a mistura entre atrações brasileiras e estrangeiras teve desempenho maior, com 43%. O público não está rejeitando o internacional. Está rejeitando a ideia de que o gringo, sozinho, transforma uma programação em algo especial.
A questão pesa ainda mais quando entra o orçamento. O artista que vem de fora cobra em dólar ou euro, moedas que, na conversão, podem deixar o cachê cerca de cinco vezes mais caro em relação ao real. É comum que essas contratações comecem em 5 mil dólares ou euros, sem contar passagens, hospedagem, alimentação, transporte e estrutura técnica.
“O DJ internacional continua tendo importância, mas deixou de ser argumento suficiente. Muitas vezes, ele consome uma parte enorme do orçamento e não entrega, sozinho, o retorno que o produtor imagina. O público quer coerência, identificação e uma sequência que funcione na pista”, afirma Marcus Andrade.
Também chama atenção o fato de novos nomes da cena terem sido escolhidos por 26,9%, índice superior ao dos grandes internacionais. É um sinal claro de que existe espaço para descoberta, desde que haja curadoria.
O estrangeiro ainda pode vender ingresso e gerar imagem. Mas não salva programação preguiçosa. Quando o público prefere o nacional e o local, a mensagem é direta: uma boa pista vale mais do que um nome importado.
Publicado originalmente no Instagram da Circuito Tribal House.
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