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Redução de Danos

O avanço do consumo de drogas entre homens gays e bissexuais, dentro e fora do contexto

O avanço do consumo de drogas entre homens gays e bissexuais, dentro e fora do contexto

O avanço do consumo de drogas entre homens gays e bissexuais, dentro e fora do contexto sexual, deixou de ser um tema restrito às conversas privadas e passou a exigir atenção como problema de saúde pública. A questão não está em moralizar escolhas individuais, mas em reconhecer uma realidade que se tornou cada vez mais visível nos grandes centros urbanos.

Cocaína, ketamina, GHB e metanfetamina aparecem com frequência em relatos associados a festas, encontros e práticas como o chemsex, termo usado para definir o sexo sob efeito de substâncias psicoativas. O acesso facilitado, inclusive por aplicativos de encontros, ampliou um fenômeno que já provoca consequências graves, como overdoses, acidentes, crises de ansiedade, depressão, impulsividade e prejuízos nas relações pessoais e profissionais.

Para o médico Vinícius Borges, infectologista CRM-SP 202.114, o debate precisa sair da zona do silêncio. “O consumo de drogas entre homens gays está se tornando um problema de saúde cada vez mais visível. Não se trata de moralizar decisões individuais, mas de encarar uma realidade que precisa ser discutida com honestidade, redução de danos, informação e acolhimento”, afirma.

Segundo ele, muitas vezes o uso dessas substâncias aparece como resposta a dores mais profundas, como solidão, baixa autoestima, sofrimento psíquico, dificuldade de criar intimidade, pressão estética, medo de rejeição e marcas emocionais carregadas por muitos homens gays. O problema se agrava quando a conversa pública oscila entre dois extremos igualmente perigosos: o moralismo, que afasta quem precisa de ajuda, e a romantização, que banaliza riscos concretos.

A comunidade LGBTQIAPN+ já aprendeu, com a epidemia de AIDS, que vidas só são protegidas quando há organização, informação, acolhimento e cobrança por políticas públicas. O mesmo caminho precisa orientar a discussão sobre drogas e chemsex.

Pedir ajuda não é motivo de vergonha. E perceber que alguém próximo está sofrendo pode ser o primeiro passo para uma conversa que salve vínculos, saúde e vidas.

Publicado originalmente no Instagram da Circuito Tribal House.

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