Quem atravessou décadas de pista já não escolhe festa só pelo line-up ou pela fama do selo
@rejisbalcasse
Quem atravessou décadas de pista já não escolhe festa só pelo line-up ou pela fama do selo. Para Rejis Balcasse @rejisbalcasse que vive a cena tribal house como público e também já trabalhou na produção da imagem de artistas, o que pesa hoje é o conjunto. Som, acesso, estrutura, segurança, limpeza, alimentação, fluxo de bar e até um lugar para respirar entre uma pista e outra.
A pesquisa do Circuito Tribal House mostra que 81,7% do público tem 30 anos ou mais. Para Rejis, esse dado ajuda a explicar por que conforto e organização deixaram de ser detalhe. “Muitas festas ainda não pensam na estrutura e no cuidado com o cliente. Não adianta fazer main party e after no mesmo lugar se não há armários, praça de alimentação, ambientes de descanso e equipe suficiente para sustentar tantas horas.”
Ele também percebe uma pista diferente. Não melhor nem pior, mas mais experiente. Um público que viveu outras fases do tribal e ainda espera construção musical, boa mixagem, vocais e sets que façam sentido do começo ao fim. “Hoje, muitas vezes, falta melodia, falta sentimento e parece que estamos ouvindo a mesma cantora ou o mesmo estilo a noite toda.”
A cobrança aumenta quando o DJ sobe despreparado, repete repertório ou leva blocos prontos de mashups. Para Rejis, decoração não salva programação mal pensada, assim como um local bonito não compensa um line-up sem lógica.
“A experiência toda é decisiva. Não adianta oferecer 20 horas de festa se o lugar não consegue entregar limpeza, segurança, fluxo e qualidade musical.”
Para um público que já viu muita coisa, sair de casa ainda vale a pena. Mas só quando a festa entende que pista boa não se sustenta apenas com nome forte e cenário bonito.
Publicado originalmente no Instagram da Circuito Tribal House.
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